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  Mini-Curso Básico de Viola Caipira
 
    Guia de introdução para o estudo do Viola Caipira
 

Introdução:

Olá galera,

Me chamo Ernestino Ciambarella Junior, mais conhecido no cenário musical como Junior da Violla e a convite do Sr. Marcus Vinicius estarei administrando o Mini-Curso de Viola Caipira para que vocês possam ter uma boa introdução sobre esse instrumento que fascina a qualquer um.

Bom, deixa eu contar um pouco sobre minha vida. Nasci em 02 de Janeiro de 1978 e desde muito pequeno acompanhava pelo rádio da casa de meu avô, músicas de Tião Carreiro, Tonico e Tinoco, Zé Carreiro e Carreirinho, entre outros. Minha carreira musical começou cedo. Em 1983, aos cinco anos ganhei o primeiro instrumento: um teclado Cassiotone, aonde aos seis anos de idade compus a primeira música de minha autoria ( "O Amor"). Em 1990, aos doze anos, passei a integrar o grupo Sus Four como percussionista, cargo que mantive até 1992. Em 1993 tive o primeiro contato com o Violão, e aos 17 pratiquei Baixo, participando do grupo de heavy metal "Web of Spider". O interesse pela Viola Caipira surgiu aos 18 anos quando vi Almir Sater pela primeira vez. Levei a Viola por outros estilos como Blues e Rock, passando por grupos como Blood Eyes e WhyRock. Em Janeiro de 2000 conheci o professor Rui Torneze de Araújo, o qual me tornou seu mestre e principal influência.

Atuei como membro efetivo, entre Fevereiro de 2000 e Agosto de 2001 na Orquestra Paulistana de Viola Caipira, tendo participado de programas de TV como Viola Minha Viola, Programa Célia e Celma, Globo Rural, entre outros, além de vários shows pelo interior de São Paulo, tocando em cidades como Itapira, Tatuí, Cunha, São Luís do Paraitinga, e no SESC de Santos. Em Março de 2000 passei a ministrar aulas particulares de Viola Caipira em São Paulo, estando a partir de Agosto de 2000 ligado à Escola de Música Opus. Fiz parte do quadro de alunos de Viola Caipirada ULM entre Janeiro e Agosto de 2001 e assumi a cadeira de Viola  Caipira da Escola   Livre de Música Pich&Bend aonde em  30 de Setembro de 2001 fiz um workshop  de estréia. 

Trabalhei com o flautista Nelson Barbosa e com o grupo Falsos Profetas aonde misturei a Viola Caipira paulista com a sanfona nordestina. Em Novembro de 2001 gravei com Nelson Barbosa para o programa Célia & Celma e venci atuando com a dupla Lulu e Zé Gaucha, o 7º Festival de Música da UNICSUL, levando o prêmio de "1º lugar" e "Melhor Arranjo". Em 16 de Dezembro de 2001 estreei com a Orquestra Sinfônica Caipira. Em Abril de 2002 gravei novamente para o programa Célia e Celma com o recém fundado grupo "Som da Terra" e me tornei endoser das Violas Rozini. Também ao longo do ano de 2002 passei a estudar harmonia funcional e improvisação com o  professor Fábio Negrone.

Em agosto assumi a cadeira de Viola Caipira da Escola de Música Jam Session. Em Setembro de 2002 mudei o nome de minha orquestra para Orquestra dos Violeiros de São Paulo começando então uma verdadeira maratona de shows tocando em casas como Rancho 21, Gruta da Serra e faz um show histórico no Shopping Anália Franco. Em Janeiro de 2003, passei a atuar também como professor de Viola Caipira do Núcleo de Arte Musical NAM e hoje estou aqui ministrando essas aulas online para vocês!


Junior da Violla
Administradora do Curso

Capítulo 1: História da Viola Caipira

 

Exemplo de uma viola Caipira

Toda cultura em qualquer parte do mundo possui um ícone. Quando se fala em Brasil, lembramos do Carnaval, quando se fala em Itália, lembramos das massas, pizzas. Na música isso também acontece. Quando falamos, por exemplo em música russa, lembramos da Balaika; da música portuguesa, o Fado; da Espanha, a música flamenca e o Violão. Nosso país tem uma cultura musical imensa e que muitas vezes não conhecemos. Por isso , tenho o grande prazer de apresentar a vocês um instrumento que talvez seja o mais importante da cultura brasileira: a nossa Viola Caipira. A Viola é um instrumento presente em quase todas as festas do nosso interior ( festas do divino, festa de reis, entre outras ). Foi o primeiro instrumento musical a chegar no país. Se a MPB faz jus ao nome ( como toda música popular produzida no Brasil ), então a Viola foi o instrumento precursor de tudo o que temos hoje. É com certeza o instrumento mais popular do país, mas que graças a influência da mídia, quase desapareceu do ouvido dos brasileiros.

Um instrumento de som belíssimo, mas que sofre um preconceito enorme por ter estampada em seu nome a palavra " Caipira ". Acima de tudo isso, a Viola é um instrumento que está voltando a crescer graças a nomes como Almir Sater, Roberto Corrêa e Ivan Vilela. Nomes que hoje estão levando o instrumento para outros horizontes, como o erudito, a MPB, a bossa nova. Roberto Corrêa por exemplo já excursionou pela Europa e já levou nosso instrumento até para o outro lado do mundo. Por estas linhas você irá conhecer a sua origem, suasparticularidades, seus ícones ( comoTião Carreiro ), seus ritmos e descobrir muitas novas possibilidades para seu instrumento seja você guitarrista ou violonista.

Vamos conhecer um pouco da nossa Viola Caipira ?

HISTÓRICO – 1ª parte

Apesar de hoje a Viola Caipira ser considerada um instrumento tipicamente brasileiro, temos historicamente que afirmar que esta colocação é errada. Nossa Viola Caipira supostamente nasceu na Europa por volta do ano 1000, vindo de um instrumento árabe chamado Guitarra Mourisca. Voltando um pouco no tempo, por volta do ano 3000AC, os únicos instrumentos de cordas que tínhamos notícias eras as harpas. Instrumentos que podiam apenas tocar uma nota por corda e eram baseadas em escalas pentatônicas ( escalas de cinco notas ). Sumérios, Egípcios, Chineses a utilizaram durante muitos milênios. Nesta época, descobriu-se que esticando uma corda em uma superfície qualquer, a mesma podia dar  inúmeras alturas de som com apenas um toque do dedo. Acredita-se então que a  primeira providência foi colocar em uma harpa um pequeno braço de madeira e esticar suas cordas até a extremidade das mesmas.

Surgiu então um instrumento mais complexo, capaz de  sobrepujar a música até então realizada. Com o tempo, descobriu-se também que uma corda esticada em um recipiente acusticamente favorável ( como uma carapaça de quelônio ) produzia um som mais alto. Surgia na região da Arábia o antecessor do Alaúde, um instrumento que tinha como bojo uma carapaça de quelônio com um couro esticado como tampo, e braço. Por volta do ano 2000AC, os árabes resolveram construir de madeira este instrumento imitando em seu bojo a curvatura das carapaças dos quelônios. Surgia então o A´lud ou Alaùde que em árabe significa "madeira". Perto do ano 900AC, este instrumento sofreu uma ruptura. Dele surgiria o Alaúde que nós conhecemos hoje, com um braço menor. Nesta época, acredita-se que o Alaúde já usava cordas duplas para aumentar sua sonoridade. O Alaúde original de braço comprido utilizado por mouros e egípcios ganhou o nome de Guitarra Mourisca.

Com a invasão árabe na península ibérica por volta do ano 650 de nossa era, toda cultura árabe foi despejada na região que conhecemos hoje por Portugal e Espanha. Com ela vieram a música e os instrumentos típicos. O Alaúde teve como alteração apenas o adicionamento de trastes, enquanto a Guitarra Mourisca começou a passar por uma lenta transformação. Primeiramente seu corpo passou a ganhar um leve acinturamento na região central, e seu bojo curvo começou a perder esta característica ( fato que levou por volta de mil anos ) ganhando forma plana. Já por volta do ano 1000, temos um instrumento com quatro pares de corda chamado Guitarra Latina ( mais tarde conhecido por Guitarra Renascentista ). Por volta do ano 1400 surgiram na Espanha dois instrumentos derivados da Guitarra Renascentista: a Guitarra Barroca com cinco pares de corda e a Vihuela com seis pares de cordas.

Estes dois instrumentos foram então introduzidos em Portugal com o nome de Viola  ( aportuguesamento de Vihuela ) por volta do ano1450. Com a expansão ultramarítima  portuguesa, os portugueses introduziram em suas colônias seus costumes e cultura. Com os jesuítas, chegou ao Brasil por volta de 1550 a Viola de cinco pares de corda. Utilizada primeiramente na catequese dos índios, ganhou o interior brasileiro e perdeu sua imagem tão erudita, passando a ser construída  pelos nossos próprios caboclos com madeiras toscas. Surgia a nossa Viola Caipira.

HISTÓRICO – 2ª PARTE

Durante os próximos 300 anos a Viola foi rapidamente se transformando no instrumento mais popular do Brasil ( o Violão como conhecemos hoje só surgiu porvolta de 1800 ). Um violeiro brasileiro fez fama nas cortes portuguesas. Era este Domingos Caldas Barbosa ( 1740-1800 ). Em 1817, um censo demonstrava que a Viola era o instrumento maispopular do Brasil. Mas com o surgimento do Violão ( que já veio da Europa com métodos e toda uma escola formada ), a Viola passou a ser confinada cada vez mais para o interior.

O Violão passou a ser um instrumento urbano e a Viola um instrumento rural. Em 1929, o paulista Cornélio Pires, amante da cultura caipira, levou para o estúdio a música caipira e com ela a Viola. Pela primeira vez era gravado e lançado em disco o som de uma Viola. O sucesso foi imediato e várias duplas surgiram a partir daí, como Alvarenga e Ranchinho. Em pouco tempo a música caipira era o gênero que mais vendia no país. Nomes como Tonico e Tinoco eram considerados como vedetes.

Na década de 50, surgiu um nome que iria mudar o conceito até então de música caipira. Era José Dias Nunes que foi imortalizado com o apelido de Tião Carreiro. Ele revolucionou o modo de tocar o instrumento, estando para a Viola o que Hendrix foi para a Guitarra elétrica. Na década de 60, com o êxodo rural, milhares de famílias que viviam em zonas rurais vieram para as cidades, principalmente as capitais, e cessou-se então um ciclo de aprendizado. Até então os ensinamentos da Viola Caipira eram passados de pai para filho. O instrumento passou a sercolocado em um segundo plano. Também nesta década, as várias influências de músicas de outros países, como os ritmos paraguaios, mexicanos deram ênfase a outros instrumentos como a sanfona e os metais ( trumpetes, por exemplo ).

A musica caipira sofre uma ruptura e lentamente vai surgindo a música sertaneja de hoje. A Viola então começa a caminhar outros horizontes. Em 1968 é gravado o primeiro disco de música erudita totalmente gravado com Viola e Tião Carreiro grava samba e choro com o instrumento. A década de 80 traria um novo crescimento para o instrumento. Em 1981, Almir Sater grava seu primeiro disco, mostrando os ritmos pantaneiros e mostrando o lado MPB da Viola.

A TV Cultura abre um programa totalmente dedicado ao instrumento, o "Viola Minha Viola" e em 1985 surge a Viola didática nas mão de Roberto Corrêa, que passa a lecionar Viola Caipira em uma instituição. Em 1990 a Viola volta a mídia com a novela Pantanal, aonde Almir Sater mostra para todo o Brasil a força do instrumento, repetindo a dose em 1992 com a novela Ana Raio e Zé Trovão e em 1996 com a novela Rei do Gado. Roberto Corrêa passa a excursionar pelo exterior com a Viola em punho e nossa música Caipira perde Tião Carreiro em 1993. A década de 90 foi uma década movimentada. Hoje o instrumento volta a ter grandepopularidade, multiplica-se professores de Viola como Ivan Vilela que leciona na região de Campinas e Roberto Corrêa em Brasília e Junior da Violla em São Paulo.

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