NOVOS TALENTOS : Narjara

Uma mistura que dá caldo

Banda Narjara mostra um pop/rock diferente e destaca-se na cena alternaltiva carioca


O grupo aposta no diferencial para alcançar o sucesso

Músicas bem elaboradas e diferentes umas das outras, mas com uma mesma cara. Assim é a essência da banda carioca Narjara. Como costumam classificar os próprios integrantes, Narjara é  rock, com incurções instrumentais pouco convencionais, com o uso de violinos, megafones, trompetes, ruídos, timbres estranhos e até panelas. As referências são música erudita, Tomahawk, blues, jazz, Legião e MPB.  A banda se caracteriza por um pop/rock difícil de conceituar, onde o próprio grupo cria arranjos com detalhes sonoros diferenciados.

O Narjara foi formado na cidade do Rio de Janeiro no ano de 2000 por ex-integrantes das bandas Suínos Tesudos, Calvins e Perdidos na Selva. A banda conta com Rodrigo Quik [voz], Maila-Kaarina [violino, teclado e voz], Marcio Meirelles [guitarra e trompete], Leonardo Guimarães [baixo], Sandro Segalote [guitarra e voz] e Beto Marinho [bateria]. Em 2002, o Narjara lançou o seu primeiro álbum, 'Minne Mennään', de forma independente. O título "Minne Mennään", em finlandês, significa "Para onde vamos?". Ainda em 2002, o Narjara fez uma mini-turnê com as bandas Penélope e Autoramas. O mais interessante desse trabalho fica por conta da variedade dos sons explorados. Uma coisa bem orquestrada e que faz do rock um gênero com várias vertentes.

A banda está em fase de divulgação do trabalho e espera em breve conseguir a oportunidade de ter o trabalho bem destacado pela mídia. Otimismo e garra é o que não faltam ao Narjara que a cada dia que passa vem se consolidando no cenário alternativo carioca. Para provar toda essa força, entrevistamos o vocalista Rodrigo Quik que vai nos dar um panorama completo sobre a banda e o que vem por aí. Veja !

Contato:

E-mail: quik@ccard.com.br

Marcus Vinicius Jacobson

Reportagem

1) Qual o principal diferencial do Narjara ?

Posso dizer que há alguns. O fato de querermos (e conseguirmos) soar como Narjara, e não réplica de alguma banda, e o da característica individual dos músicos, que têm diferentes referências musicais, permitindo que tenhamos essa identidade única. Eu sempre digo que, independente de quem ouve gostar ou não, esse alguém sabe quando está ouvindo Narjara.

2) Explique pra gente como é esse rock que vocês rotulam com a presença de violinos, megafones, trompetes, ruídos, timbres estranhos e até panelas?

É exatamente essa coisa das várias vertentes da galera. Quando nos unimos, decidimos fazer rock. O grande lance é que cada um tem uma escola musical diferente do outro. Um é adepto do jazz, outro do metal, tem gente que é do punk, enfim, rola uma salada. Além disso coincidiu de cada um ter uma possibilidade instrumental que transcende um instrumento. O guitarrista é trompetista, a violinista é tecladista, o guitarrista é cantor, o cantor é presepeiro. Esses dois fatores – diversas referências e muitas possibilidades instrumentais – geraram essa mistureba no rock com instrumentos pouco convencionais a ele.

A banda está batalhando e pretende estourar em breve

3) Fale mais sobre esse primeiro trabalho de vocês independente, o CD Minne Mennään.

Ele foi gravado entre maio e julho do ano passado. Inicialmente era para ser nosso segundo EP. Mas, com as gravações, percebemos que a sonoridade estava muito diferente da primeira. Nos empolgamos, fizemos uma proposta financeira ao estúdio que possibilitasse o devaneio de gravar um CD cheio e o fizemos. Tem banda que fica fazendo um monte de EPs eternamente. Isso não leva a nada.

4) E por falar nesse Cd, como está a divulgação do grupo na mídia? Vocês estão tendo dificuldades para afirmação ?

A mídia impressa e a internet são as que mais ajudam. Disparado. E temos dado sorte, pois todos têm gostado da proposta, tanto musical quanto mercadológica. O problema é que o que vende disco e show, no final das contas, são rádio e TV. E esses são impenetráveis. O artista só consegue entrar por meio de um empresário enturmado com a galera do poder da comunicação ou com a gravadora bancando geral. É claro que há as rádios e TVs comunitárias ou de cidades menores, mas que não possuem um alcance que se compare à um meio oficial de um grande centro urbano. O que é uma pena porque dá um prazer gigante ser bem recebido fora de habitat natural.

5) Como vocês estão vendo o mercado de rock alternativo brasileiro?

Vejo não só o alternativo como o do mainstream da mesma forma: sem luz no fim do túnel. Chegamos à conclusão que demos muito azar de resolvermos levar adiante uma banda a essa altura do campeonato. As gravadoras colhem o que plantaram ao longo dos anos – prejús e mais prejús – e o mercado independente nunca vai atingir largos passos. Pode até ter vontade, mas não tem estrutura para isso. Mas, se você pensar bem, foi sempre assim: a banda, além de ter que ter talento, tem que dar muita sorte. Sem contar que não há nenhuma faísca de formação de um mercado alternativo integrado. Ao contrário. Quando uma banda assina com alguma gravadora, nego logo põe defeito, fala que mudou, se vendeu, coisas assim. Aconteceu isso com Hermanos e mais recentemente com Detonautas e Leela. E olha que ninguém ouviu o CD deles ainda. Outro exemplo. Já ouvi gente dizendo que se o Dead Fish assinar, pára de ser fã e de admirar os caras. Faz sentido isso? O artista não pode nem mais ganhar para trabalhar. É isso mesmo?

6) Quais são as principais características da banda Narjara ?

Músicas bem elaboradas e diferentes umas das outras, mas com uma mesma cara. Show performático com dinâmica e ensaiado. Cara, todo dia vejo show zoneado. Qual é a meta disso? Vi um show de uma cantora daqui do RJ. As músicas são bem bacanas, mas o show foi tão disperso que ficou chato e cansativo. As pessoas têm que se tocar que, para deixar de ser alternativo, que é o objetivo de todos, mesmo que alguns digam que não, o cara tem que desempenhar minimamente seu papel. Ensaiar, tocar direito, planejar o show, decorar as músicas, pensar em figurino. Não há falta de tempo que justifique um show bagunçado.

7) Como ficou o impasse que vocês tiveram com a atriz Narjara Turetta que chegou a entrar na Justiça, pedindo uma indenização de 50 mil por terem batizado a banda com o nome dela?

Não houve impasse. Simplesmente ela não tinha base legal para nos processar. Sem contar que deu mole. Podia ter se juntado a nós para fazermos TV, gravarmos uma música, participado especialmente de algum show. Infelizmente ela preferiu o lado da pancadaria. Não deu em nada, a não ser uma mídia sinistra para nós.

8) Fale pra gente sobre os próximos planos da banda e as próximas conquistas que pretendem alcançar.

Pretendemos fazer ATL, no RJ, e Credicard Hall, em Sampa, em abril e estar em primeiro lugar nas principais rádios até o final do mês. Mas antes, queremos fazer show médios e divulgação no Norte Fluminense e ES, que são lugares que nos tocam nas rádios, MG, SP e Sul do país. Estamos participando de um festival anual no RJ chamado Ruído Festival 2003, que conta com uma galera boa tocando. Depois iremos com uma outra banda – estamos conversando ainda – para Sampa. Isso em abril. É batalhar para ver.

Muitos planos fazem parte da vida desses músicos

9) Mesmo com as dificuldades, vocês pretendem ir até o fim pra conseguir o que almejam ou deram algum prazo?

Demos prazo, que é de aproximadamente até segundo semestre do ano que vem. Se não rolar nada, já era. É a prova de que nosso destino é ser funcionário de algum lugar, e não músico. Já estamos muito velhos para ficarmos dando murro em ponta de lança.

10) Deixe um recado final ai pra toda galera que curte o Narjara e para os que ainda não conhecem o trabalho de vocês.

Amem suas famílias como se não fosse vê-las nunca mais. E isso a cada milésimo de segundo. Não deixe para fazer isso quando você a perder. Nos vemos por aí. E valeu pela abertura não só para o Narjara, como também para todos os artistas independentes do Brasil. O que vocês fazem é um serviço público. Valeu.

 

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