NOVOS TALENTOS : mim

Um projeto pervertido e de qualidade

Liderado por Eva Leiz, banda mim tem tudo para estourar em breve no mercado


Eva e sua garra a frente do mim

Pop pervertido na medida certa. Assim é o som do mim (assim mesmo, com minúsculas), projeto da guitarrista e cantora carioca Eva Leiz, que tocou anteriormente no Polux (banda da qual fez parte também o casal Bianca Jhordão e Rodrigo Brandão, hoje no Leela). Bonita e sensual, Eva, com seu estilo, conseguiu mundar a imagem do underground com uma mistura de sons de qualidade impressionante. Tudo isso aliado à qualidade dos integrantes do grupo que fazem bonito nas linhas de baixo e ajudam numa sintonia perfeita.

Eva, que fez todas as músicas e dividiu a execução com a galera da banda Vulgue Tostoi e do projeto Marcos Cunha & Antonio Saraiva, mistura em seu som referências eletrônicas (de bandas como Primal Scream, Portishead, Supreme Beings of Leisure, etc) com bossa nova, MPB, psicodelia, punk rock e outros detalhes. O mim, inclusive, já lançou um CDzinho demo (um disco de apenas 5cm) com três músicas, tudo feito por ela, que, ao vivo, conta com o auxílio de convidados. Nesse contexto, a melhor faixa é a de abertura, "Hoje", pesada, eletrônica e viajante na medida certa. A dançante "Eu te amo" é a mais oitentista do disco, com um balanço que lembra muito coisas mais recentes do Jesus & Mary Chain. "Por que", cantada em espanhol, é a mais radicalmente experimental do disco. Os vocais de Eva têm linhas aproximadas com os da bossa-nova e do samba em algumas músicas e muitos que já tiveram a honra de escutar o trabalho chegam a lembrar os de Nara Leão em certos momentos. Só que no fim das contas é tudo rock, mesmo. Experimental, claro, mas é rock. Basta conferir as boas guitarras do disco.

É sempre bom lembrar que com o fim do Pólux, Eva trocou de instrumento e tirou uma folga para preparar sua nova sua nova banda. Mas quem achou que essa demora seria o fim dos sonhos, se enganou redondamente. Realmente valeu a pena esperar, visto que apesar do mim geralmente ser vendido na mídia como "projeto eletrônico"é um pouco mais do que isso. Eva agora aposta num som mais experimental, menos punk e utilizando influências eletrônicas. O demo é apenas a ponta do icberg do sucesso que essa banda promete fazer em breve com o lançamento de um CD mais completo. Um detalhe importante desse pequeno trabalho é que a segunda faixa do mini-cd, intitulada “Eu te Amo”, ganhou até um clip bem interessante dirigido por Matias Maxx e Christian Caselli.

Mas Eva Leiz tem muito mais pra falar sobre o projeto mim e por isso abrimos esse espaço a fim de que ela pudesse mostrar todos os planos e momentos especiais da banda. Confira !

Site: http://www.mim.com.br

Contato:

E-mail: mim@mim.com.br

Marcus Vinicius Jacobson

Reportagem

1) Seu nome é Mariana Eva Leiz, mas à frente do mim você passou adotar somente Eva Leiz. Podemos dizer que a troca serviu pra marcar uma nova identidade à sua carreira?

Não foi exatamente uma troca de nomes, é uma variação do que já existe. Sempre achei Eva, mais forte e original do que Mariana. Acaba sendo como um personagem que assumo e é muito divertido.

3) Explique pra gente mais sobre o Projeto Solo mim e suas principais características ?

O mim é um projeto solo. Achei mais consistente me citar em vez de dar meu nome próprio por isso escolhi mim. O mim mistura rock e musica eletrônica, mais especificamente pop pervertido.

2) Depois do fim da banda Pólux, você passou um tempo afastada dos palcos. O que fez durante esse período?

Fiquei estudando música, conhecendo projetos, compondo, aprendendo a usar o programa de audio “Digital Performer” e colocando minhas músicas pra dentro do computador. Fui descobrindo o som que queria fazer e depois de um tempo entraram gentilmente três produtores que me ajudaram a finalizar e enrriquecer o projeto. São: Marcos Cunha, do projeto “Marcos Cunha & Antonio Saraiva”, Victor Z e Jr Tostoi da banda “Vulgue Tostoi”.

A musa falando sobre seu projeto

4) Fale mais sobre esse pop pervertido. 

O pop pervertido é um termo que era usado pela banda Vulgue Tostoi para descrever seu som. Achei o termo perfeito pra explicar no que consistia o som e adotei pro mim que tmb representa uma música pop porém com ousadias e sofisticação que seriam a parte pervertida.

5) Você é bonita, interessante e dona de uma voz bem potente. Você acredita que as mulheres estão conseguindo reverter a imagem underground para melhor?

Claro!! Esse tema era uma constante na época do Polux, ficavamos impressionados com o preconceito das pessoas. A gente não tava nem aí, brincando de fazer música, se descobrindo e aprendendo juntos. Isso incomodava muita gente o fato da gente tocar mal, cantar mal, estar ali no underground fazendo a nossa história. Na época, connheciamos muito poucas bandas com mulher, hoje tem várias bandas legais, dando as caras, mostrando seu trabalho e espero que tenha cada vez mais. E é esse movimento, de interesse e de trabalho, que reverte a posição da mulher em qualquer área.

6) É nítido e notório que a maioria das Gravadoras e rádios em geral não trata o underground com o mesmo peso que o pagode, axé, mpb etc. Qual sua opinião sobre o pouco caso com esse gênero?

Acho que essa é uma discussão muito longa e delicada, além de existirem vários detalhes muito especificos pra esta resposta. Por exemplo, ter a concessão de uma rádio no Brasil é praticamente impossível, o que já foi prohibido na maioria dos países, de apenas possuir um meio de comunicaçao, aqui nem se toca no assunto, limitando a divulgação cultural e transformando as rádios em empresas estancadas e conservadoras. As gravadoras e rádios são empresas que tem como objetivo ganhar dinheiro a curto prazo e acabam não se dando conta do valor e necessidade cultural pro país que seria o incentivo a artistas novos e originais, e  acabam dispensando o investimento na qualidade e diversidade. Mas esse nao é só um problema de gravadoras e rádios. As gravadoras contratam o que ja é certo que vai vender, como um cover de Djavan ou de Jota Quest, quando poderiam com o mesmo dinheiro investir em três bandas novas com caracteristicas próprias e ousadas. E isso criou um círculo vicioso no mercado. Não vende porque não grava e não grava porque não vende. O que acabou acontecendo de uns anos pra ca é que inclusive as próprias bandas do undergroung pra fazerem um contrato com uma Major, fazem um som parecido com o que toca na radio. Não existe essa receita mágica da fama e fortuna que as gravadoras apostam, por isso os prejuízos acabam sendo arrasadores e existe cada vez menos dinheiro pra investir. No fim das contas, isso tudo é burrice das gravadoras apoiada por alguns artistas.  porque além de limitar a cultura do país e impedir que ela se desenvolva com toda a sua criatividade e talento, que temos com certeza, acaba dando um prejuízo econômico maior a longo prazo. A banda que vende 10.000 no primeiro CD, 100.000 no segundo e um milhão no terceiro ja rendeu 1.110.000 e fortaleceu a música popular brasileira.

7) Como você vê o atual cenário underground brasileiro?

Vejo algumas poucas e boas bandas tentando trilhar seu caminho, fazendo shows, trabalhando duro, e fazendo o possivel e impossivel pra ter seu espaço no mercado fonográfico. Enquanto outras tentam o caminho da cópia, do que já deu certo, do que elas acham certo que pra mim é absolutamente errado. Mas cada um trilha de sua maneira e respeito a todos em níveis diferentes. Vejo cada vez menos artistas sendo criativos e inovadores, muito graças à negligência de grandes gravadoras e rádios.

8) Gravar um Cd com uma gravadora de porte e atingir o reconhecimento do público é tudo que qualquer artista almeja em sua carreira. E você Eva, já está colhendo os frutos desse belo trabalho desempenhado?

Como expliquei anteriormente, claro que tenho esse objetivo mas não vou passar por cima do que acredito ser a alma da minha minha música pra conseguir isso. Vou dar um jeito de achar uma brecha onde o mim possa se desenvolver de uma forma digna e duradoura. Ainda não sei o que é necessário, só sei que vou fazer.

Eva dando seu recado final

9) Quais são os próximos planos para o mim ?

No momento estou fazendo a gravação do meu primeiro CD por isso não estou fazendo muitos shows, mas devo lançar o CD no show do dia 14 de março no Ballroom. É uma festa que estou organizando com o pessoal da banda Grave! e da festa febre e se chama “mim tá com febre grave!”

10) Deixe um recado final pra toda galera que curte a banda mim e principalmente ao pessoal que ainda não teve a oportunidade de conhecer de perto este trabalho.

Ajudem na campanha Fome Zero, digam não à guerra contra o Iraque, façaa tudo a seu alcançe pra ser feliz, seja uma pessoa honesta e quando chegar em casa tranquilo, contente e com a consciência limpa por ser uma pessoa maravilhosa ouça o CD do mim e relaxe. Você merece!

 

ATENÇÃO

Chegou seu momento de aparecer na Internet ! Queremos entrevistar GRUPOS ou ARTISTAS SOLO de qualquer estilo e que estejam prestes a lançar um CD ou já despontando no mercado musical para uma maior divulgação!

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