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apítulo 8: Os Acordes na Tablatura
E como ficam os acordes numa
tablatura?
Essa é uma pergunta cabeluda né? Nem tanto. Seu estudarmos com calma sem afobação e
pessimismo, conseguiremos decifrar isso.
Bom, muito intuitivamente, se um acorde é um conjunto de notas que deve ser tocado
simultaneamente, numa tablatura um acorde deverá consistir em vários números, todos na
mesma coluna:
e|-0---3---0-
B|-1---3---1-
G|-2---0---0-
D|-2---0---2-
A|-0---2---3-
E|-0---3---0-
No exemplo dado, estão
representados os acordes Lá menor (Am), Sol (G) e Dó (C). Como cada acorde consiste numa
só coluna de números, isto significa que se devem fazer soar todas as cordas ao mesmo
tempo.
Isto faz-se, por exemplo, percorrendo depressa todas as cordas com o polegar da mão que
dedilha (geralmente a direita, para um guitarrista destro). Veja-se, por exemplo, cinco
formas diferentes de tocar um acorde de Lá menor:
e|-0----------0--------------------0-------------------0------
B|-1---------1------------------1--------1-----------1---1----
G|-2--------2----------------2-----------2---------2-------2--
D|-2-------2--------------2--------------2-------2-----------2
A|-0------0------------0-----------------------0-------------0
E|-0-----0----------0-----------------------------------------
1 2 3 4 5
A primeira forma é, como já
vimos, para ser tocada percorrendo todas as cordas depressa com um ou mais dedos da mão
direita. É claramente impossível tocar todas as seis cordas ao mesmo tempo sem ser desta
maneira, pois quase ninguém tem seis dedos. Na segunda, o que se pretende é fazer o
mesmo que anteriormente, percorrendo as notas da grave para a aguda, mas mais devagar.
A terceira já é um pouco diferente: há um traço de intervalo entre cada nota, e muito
provavelmente, quando aparece uma forma similar a esta, o que se pretende é tocar as seis
cordas, mas individualmente, ou seja, fazer vibrar as cordas uma após a outra, mas sem
ser de uma só vez.
O dedilhado correcto faz-se usando o polegar da mão que dedilha para as três últimas
cordas (as mais graves, D, A, E), usando o indicador para a corda G,
o médio para a B e o anelar para a e. O mínimo não é usado. Na quarta
forma temos apenas três notas para tocar. Comparando esta figura com a número 1,
vemos que não dá para percorrer todas as cordas, pois há três que não devem ser
tocadas. Assim, o que se pretende é puxar simultaneamente as cordas B, G e D com os dedos
adequados enquanto a mão esquerda faz o acorde de Lá menor. A quinta forma representa o
que se chama um arpeggio, ou seja, tocar as notas de um acorde num movimento de
vai-vem.
Sempre que não há indicação em contrário, deve-se seguir a norma de cada dedo para
cada corda. Inicialmente haverá alguma dificuldade em acertar com os dedos da mão
direita nas cordas apropriadas, mas com algum treino chega-se lá.
O principiante tem sempre o hábito de usar apenas o indicador e o polegar, por exemplo,
para fazer todos os dedilhados. É um mau hábito que não leva a lado nenhum. Mais tarde,
é difícil aprender a tocar como deve ser, usando dedos separados para cordas distintas.
Capítulo
9 : Aspectos técnicos da Guitarra
Vamos esfriar um pouco a cabeça, já que
esse assunto de solos e tablaturas deixa a gente totalmente confuso, ainda mais quando se
é iniciante. Nós analisamos isso tudo e aí pinta aquela vontade de não querer mais
aprender guitarra né? Mas relaxe e vamos então a um tema mais light e fundamental para o
futuro de seu instrumento.
Iremos esclarecer algumas dúvidas sobre
a parte técnica da guitarra. Seria impossível, contudo, abranger todos os aspectos, pois
as variáveis numa guitarra são enormes. Tipos diferentes de "captadores",
"pontes", "trastes" e "tarrachas" alteram completamente o
instrumento, isso sem contar, é claro, com o fator mais importante, que faz com que uma
guitarra seja diferente da outra: a madeira.
O Importante para uma boa regulagem é ter conhecimento absoluto do que se tem em mãos,
bem como saber até onde se pode chegar com o instrumento, pois toda guitarra tem os seus
limites. Por exemplo, torna-se impossível conseguir num braço de guitarra fino tipo
Jackson, uma boa estabilidade com um encordoamento 0.10.ou então, colocar uma ponte Floyd
Rose numa Fender sem trava. Coisas desse tipo são imcompatíveis e, portanto, a primeira
providência a ser tomada é adaptar o seu instrumento aos recursos compatíveis. Aqui
seguem, ao meu ver, as principais dúvidas:
O importante é usar sempre o mesmo tipo
de encordoamento. Pra braços finos, é mais cômodo usar cordas 0.9, enquanto que para
guitarras tipo Gibson e Fender, pode-se usar tranqüilamente 0.10 ou até 0.12.
A diferença é que cordas mais grossas têm mais "sustain", mais brilho.
Aliás, para quem for gravar uma demo ou um cd, aqui vai uma dica: usar encordoamento 0.10
ou 0.11 para base, o efeito é bem legal!! Por outro lado para guitarristas mais tecnicos,
cordas 0.10 são um problema para técnicas de "ligadura" e "tapping",
por exemplo.
Guitarras mais modernas, com 24
casas, tipo Jackson e Ibanez, têm um braço "fino" e, como qualquer guitarra,
sofrem muito a influência da temperatura, sobretudo aqui no Brasil, onde, num só dia,
faz calor e frio, faz sol e chove, as guitarras demoram um tempo para se estabilizarem. O
braço da guitarra é uma espécie de termômetro; basta uma mudança de temperatura, para
ele também se alterar. E não existe nada mais frustrante e desagradável do que um
braço "empenado". Portanto, aqui vão algumas dicas para saber se o braço de
sua guitarra está ou não empenado.
Alinhe a guitarra de modo que se possa
vê-la numa linha reta, podendo-se notar uma curva, para frente ou para trás, o braço
está "empenado". Um outro detalhe: se um lado estiver mais empenado que o
outro, o braço está "torcido"! Um grave problema. Outra forma usada consiste
em pressionar, ao mesmo tempo, a primeira e a última casa do braço da guitarra .Olhando
para o centro do braço, se a corda estiver alta, o braço está empenado.
Corrigir esse problema até que é
simples, mas deve-se tomar cuidados importantissimos!! Por isso é importante conhecer bem
o instrumento, para que outros problemas sejam evitados. Por exemplo, se o tensor já foi
por demais utilizado - porque também ele tem um limite - está mais do que na hora de
trocá-lo ou comprar outro braço.
O "Tensor" é uma espécie de
barra de ferro que, localizando-se no interior do braço da guitarra, mais especificamente
entre a escala e a parte de trás do braço, tem a função de tensioná-lo. A ponta do
tensor (bucha) geralmente fica no "head stock" da guitarra, mas em algumas
delas, pode localizar-se no começo do braço. Nesse caso, é preciso tirar o braço, para
que se possa regular. Apertando (sentido horário) corrige-se a "empenada" para
frente, enquanto que ao soltar está se corrigindo a "empenada" para trás. A
"empenada" para frente dá aquela sensação que as cordas estão muito altas, a
"empenada" para trás faz com que a guitarra "trasteje" muito (aquele
som de lata). É importante checar se esse problema existe, pois se o braço estiver
"empenado" ou "torcido" e assim permanecer por muito tempo, será
difícil consertá-lo, porque ele poderá se estabilizar nessa situação.
Um outro cuidado básico é como guardar
a guitarra -com a frente dela sempre voltada para a parede ou para o chão- pois assim
você não se estará colocando mais pressão além das cordas sobre o braço.
Como já foi dito, guitarristas técnicos gostam das cordas "coladas" no braço,
isto é, bem próximas a ele, mas reclamam que "trastejam" demais. É
impossível uma ação de corda baixa sem "trastejo", mas ao meu ver, mesmo
"trastejando", contanto que as notas não sejam "engolidas", não há
motivo para se preocupar, procure sempre um bom "luthier"(pessoas especializadas
em regulagens de instrumentos) para cuidar desse assunto.
Uma outra dúvida comum existente
refere-se à regulagem da ponte da guitarra, mais especificamente as Floyd Rose com
"back box", pequena abertura na parte de trás da ponte, que possibilita
"alavancar" para cima.
As pontes são sustentadas pôr molas, que podem deixar a alavanca mais macia ou dura,
como também a regulam para diferentes afinações e tensões de corda. As pontes do tipo
Fender são mais simples para regular. Desejando a alavanca mais macia basta retirar uma
mola. Nesse caso, deve-se apertar aqueles dois parafusos que sustentam as molas, pois a
ponte tem que estar sempre alinhada ao braço. Com relação às pontes floyd Rose com
back box, o problema é mais complicado.
Se a ponte estiver desalinhada, dois
fatores podem concorrer para isso: afinação e tipo de corda. Hoje em dia é muito comum
bandas de rock tocarem meio-tom abaixo da afinação tradicional (440 hz - d# g# c# f# a#
d#). Além do peso de certa maneira é até mais cômodo para tocar.
As guitarras vêm sempre de fábrica
afinadas em 440 hz. Para regulá-la meio tom abaixo o procedimento é o seguinte: soltar
os parafusos da ponte (mas não muito), dar umas 4/5 voltas e afinar. No final a
ponte tem que estar alinhada. Para o processo inverso, ou seja, afinar em 440hz guitarras
reguladas meio tom abaixo, aperte os parafusos, ao invés de soltá-los. Vale a pena dizer
que bandas tipo Sepultura tocam até 2 tons abaixo!!
Com relação ao encordoamento, o
problema surge quando se quer trocar de tipo de corda. Por exemplo, para passar de de 0.9
para 0.10 ou o contrário. O procedimento é semelhante ao anterior: para afinações ou
tensões altas, aperte os parafusos, para baixas, solte-os, sempre igualmente.
Seria importante também ressaltar sobre
a regulagem de "oitava". Nas pontes, existem pequenos parafusos, que
servem para se avançar ou recuar o rastilho pôr onde passam as cordas. Com um afinador,
toque a corda solta e, em seguida, na casa 12. Se der diferença, solte o parafuso e recue
o rastilho ou avance até chegar no ponto. Esse procedimento é importante poque quando as
"oitavas" não estão reguladas você poderá estar fazendo um solo é ter
aquela sensação de coisa na trave apesar dos acordes estarem perfeitos. Esta é uma das
dicas que muitos guitarristas que estão no meio musical passaram pra mim.
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