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Marcus Vinicius Jacobson A vitória do samba carioca


Iphan reconhece oficialmente o samba do Rio de Janeiro como patrimônio cultural do Brasil

(08/11/2007)

O tema de hoje é uma alegria não só para os cariocas, mas como também para os brasileiros. Já era pra esse assunto ter sido tema da minha coluna anterior, porém quando eu já estava quase finalizando, eis que surge essa notícia que me deixou orgulhoso de meu país:  samba carioca que agoniza, mas não morre – conforme a letra do compositor e sambista Nelson Sargento – agora é Patrimônio Cultural do Brasil ! Hoje, completamos 1 mês dessa notícia, que na minha opinião ainda está fresquinha para ser comentada. Cabe informar que a decisão foi tomada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), depois de um pedido feito pelo Centro Cultural Cartola com o apoio da Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Essa sensacional medida, que foi aprovada por unanimidade, beneficiou as três matrizes do gênero musical: samba de terreiro, partido-alto e samba-enredo.

O objetivo dessa medida foi preservar as raízes da música, articulando ações com comunidades de sambistas, escolas de samba, principalmente a velha-guarda, e músicos contemporâneos. Dessa forma, segundo o Iphan, será mais fácil levantar verbas para desenvolver pesquisas históricas e produzir biografias dos sambistas. Foi um gol de placa do Centro Culturar Cartola, que produziu uma pesquisa financiada pelo Ministério da Cultura e conseguiu reunir referências para classificar o samba desta forma. Só pra ter idéia, o Centro mapeou registros históricos das seis escolas de samba mais antigas do Rio - Mangueira, Portela, Salgueiro, Vila Isabel, Império Serrano e Estácio de Sá - e reuniu teses, livros e discografia sobre sambas de antigamente. Além disso, depoimentos de ícones do samba como Monarco, Xangô da Mangueira e Nelson Sargento também foram usados na pesquisa.

Para quem desconhece, vale lembrar que o Samba de Terreiro faz referência aos espaços de encontro e celebração dos sambistas, que ali dançam um samba livre com as marcas de sua ancestralidade. Nos terreiros, pátios das Escolas de Samba, cantam as experiências da vida, o amor, as lutas, as festas, a natureza e a exaltação das escolas e da própria música. Já o Partido-Alto é marcado pelos versos de improviso. Nasceu das rodas de batucada, onde o grupo marca o compasso, batendo com a palma da mão e repetindo o refrão e inventando estrofes segundo um tema proposto. É o refrão que serve de estímulo para que um participante vá ao centro da roda sambar e com um gesto ou ginga de corpo convide outro componente da roda. E com a criação das primeiras Escolas de Samba, no final da Década de 20, o Samba se adaptou às necessidades dos desfiles no asfalto. Criou-se uma nova estética e uma nova modalidade: o Samba-Enredo. O compositor elabora seus versos com base no tema (enredo) a ser apresentado pela escola, descrevendo uma história, de maneira melódica e poética. De sua animação e cadência depende todo o conjunto da agremiação, tanto em termos de evolução como de envolvimento harmônico.

Agora, é vez do nosso samba. Do samba carioca, já que o samba baiano teve seu reconhecimento há algum tempo. Uma vitória bonita da arte, da cultura e do patrimônio de nosso país. Peço desculpas às pessoas que acham que esse tema já estava velho ou batido, mas um fato marcante como esse não poderia passar em branco em nosso Portal que desde sua criação prestigia todos os movimentos e gêneros nacionais. Queria de, antemão, parabenizar ao Instituto Cultural Cartola e às entidades das escolas de samba que tiveram a iniciativa e o êxito. Parabéns aos sambistas também, pois eles representam a semente dessa vitória. Parabéns sobretudo, ao samba, que leva a alegria para milhões de corações brasileiros...


Marcus Vinicius Jacobson

Jornalista e diretor do MVHP - Portal de Cifras
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