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O samba rompendo fronteiras


Roda de bambas no Andaraí lota mesmo sendo às 14h de segunda-feira

(05/08/2005)

O samba agoniza, mas não morre. Essa frase do inesquecível Nelson Sargento sintetiza bem a dimensão do assunto que iremos explorar na coluna desse mês. A cada dia que passa, o samba vem reunindo mais adeptos e criando movimentos que até Deus duvida. Quem imaginaria que em plena segunda-feira, considerado o pior dia útiul da semana, devido ao descanso merecido de sábado e domingo, em horário comercial – das 14h às 20h – , um clube fosse receber mais de mil pessoas para uma roda de samba? Pois é o que está acontecendo no Clube Renascença, no Andaraí, Zona Oeste do Rio de Janeiro. São inúmeros compositores do primeiro time reunidos à sombra de uma caramboleira e desfilando sambas antigos e inéditos, com as frutas caindo ao lado de copos de cerveja e cachaça artesanal e um clima que – dizem os bambas – lembra os primórdios do Cacique de Ramos. O nome da festa é fina ironia do músico e poeta carioca Moacyr Luz: Samba do Trabalhador.

De acordo com a declaração do próprio Moacyr Luiz, ao Jornal O Dia, de 05/08, a festa é uma homenagem aos músicos, que descansam na segunda, mas também uma provocação à cidade. Segundo ele, no começo eram apenas um grupo de músicos mostrando suas composiões. Só que novos adeptos foram surgindo e o pior que já tem gente matando trabalho e aula pra curtir esses verdadeiros momentos de alegria. Na reportagem de Pedro Landim, participantes revelam que inventam desculpas de doença aos chefes e coisas surreais para justificar a ausência no trabalho e poder estar presente a esse grande marco do samba.

Ainda sobre a roda, Aldir Blanc, Wanderley Monteiro e Bandeira Brasil e Ratinho batem ponto todas às segundas. “Há muitos violões e cavacos, a harmonia prevalece. É samba sem agrotóxico”, declarou Ratinho à reportagem do Jornal. Outras presenças ilustres surgem de mansinho por lá de veza enquando. Zezé Motta apareceu certa vez e cantou Senhora Liberdade. Mart’nália, filha de Martinho da Vila, comemorou o aniversário de sua irmã no local. Todos tentando dar um tempero especial ao samba-raiz. E em falar em tempero, costelas com batata, carne-seca com abóbora e dobradinha com arroz fazem parte do cardápio local. Tudo haver, não é mesmo?

Bom, e parece que esse movimento está ficando cada vez mais sério. Com o sucesso, a roda vai virar CD. Renascença Samba Clube será gravado ao vivo no dia 29, reunindo 18 sambistas. Imagina como vai estar aquele lugar? Abarrotado de amantes do gênero que irão dar aquele jeitinho brasileiro pra prestigiar essa gravação que promete ser inesquecível para o mundo do partido alto. Esse movimento é uma boa resposta para todos os críticos do samba e que achavam que o gênero estava fora da moda, por não fazer parte constante das programações das rádios. O samba está mais vivo do que nunca, minha gente. Como diz Dorival Caymmi, quem não gosta de samba bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé....


Marcus Vinicius Jacobson

Jornalista e diretor do MVHP - Portal de Cifras
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