ENTREVISTA ESPECIAL :    Casaca

O som capixaba que conquistou o país

Banda do Espírito Santo arrasta multidões com um som promissor e de qualidade


Os jovens músicos são a aposta do mercado

Casaca é um instrumento de destaque do congo, parecido com o reco-reco. Só que na música ela também tem um valor muito grande, principalmente para o povo capixaba. Nada mais é do que uma das bandas revelações do cenário cultural nacional e que conta com o swing da guitarra e a marcação de tambores de congo, com pitadas de pop, rock e o reggae. Formado por Renato Casanova (vocais), Jura Fernandes (guitarras, violões de aço e de 12 cordas), Thiago Grillo (tambor), Flavinho (tambor de repique), Jean (tambor de condução), o grupo vem se destacando ao participar de festivais e eventos do Espírito Santo e demais cidades brasileiras. Como suas próprias composições mostram, eles são músicos competentes e capazes, levando cada vez mais longe seu forte som mesclado com o congo.

Esses jovens valores, oriundos de Barra do Jucu (no litoral de Vila Velha, Espírito Santo) decidiram se unir e montar uma banda ao assistir e participar de rodas de congo. Até então seria apenas mais uma banda de garotos, mas eles achavam que faltava alguma coisa para diferenciar o som. Dessa forma surgiu a Banda Casaca, com a proposta de fazer algo diferente do que era proposto pelo mercado. A banda tem por objetivo, não só divulgar o congo para o Estado, mas também para todo o Brasil, levando seu ritmo para todas as partes e provando que o congo é versátil, alegre e contagiante, podendo perfeitamente participar de qualquer cultura e em qualquer lugar.

Idolatrado no Espírito Santo, o Casaca percebeu que é possível unir música pop ao congo, ritmo capixaba mais famoso de todos os tempos (trazido para o Brasil pelos africanos). Como o maracatu, o samba, o baião e o frevo, o congo se tornou um ritmo regional sim, mas é extremamente brasileiro. E faz todo mundo dançar: capixaba, carioca, paulista, baiano, gaúcho ou paraense. Com tambores, caixa e – claro – a casaca, no lugar da bateria, o som da banda é bem percussivo.  Aos poucos, o Casaca foi se fortalecendo e é uma das gratas surpresas do momento, trazendo um ar renovado para o cenário musical brasileiro. Só pra ter idéia da dimensão da banda, o  1º CD, independente, vendeu mais de 55.000 cópias.

Mas esses garotos não perdem a humildade e continuam  buscando um espaço maior nesse mercado concorrido e afetado pela pirataria. Apesar dos obstáculos, eles estão empenhados em mostrar mais um CD que promete empolgar a quem escuta e que já se encontra em fase de produção. Para falar mais detalhes sobre isso e a carreira da banda, conversamos com o Guitarrista Jura Fernandes. Confira tudo que rolou nesse bate-papo!

Site: http://www.casaca.net

Marcus Vinicius Jacobson

Reportagem

Entrevista publicada no dia 13/01/2004

1) A banda foi criada ha cerca de três anos e vendeu logo de cara mais de 50 mil cópias no primeiro CD com produção independente e despontou nas principais rádios do Espírito Santo. Vocês acreditavam que iam estourar assim tão depressa?

A coisa com o casaca foi muito por acaso. Era uma reunião de amigos que tocavam tambor no chão e de repente tinham que saber o que eram retorno, side, monitor, palco.  A gente até hoje faz a coisa com o coração e em todo trabalho feito com amor o resultado é o sucesso. A vontade continua a mesma: tocar tambor e mostrar a cultura capixaba pros quatro cantos do mundo.

Os shows do grupo estão sempre com lotação máxima

2) Das dificuldades do início da carreira, qual delas marcou mais o grupo?

Teve muitas dificuldades, mas o pior é que o Espírito Santo não conhecia sua própria cultura então muitos lugares a galera dizia “lá vem os caras do tambor fazer macumba “ e as rádios diziam que não cabia na programação esse estilo de música. Pois é, a coisa mudou graças a deus.

3) Qual a opinião de vocês sobre as bandas que, depois do sucesso, passam a produzir músicas para a mídia e não aquelas que faziam no início da carreira?

Olha, a questão é muito difícil por que bom...O dead fish, por exemplo, estava quase acabando , já o cpm 22 vende igual água, bandas iguais ideais diferentes . Faça sua música sempre, se ela for boa não importa se é samba rap ou funk. Música boa é música boa, o que hoje é comercial amanhã é cult.

4) Vocês estão conseguindo divulgar o congo e a cultura capixaba como tinham em mente?

Rapaz, o Brasil é muito grande e rico em cultura e o CASACA já começa a fazer barulho, e as pessoas começam, a saber, que tem um movimento. no Espírito Santo, que tem bandas boas lá ,e uma cultura muito forte, a gente ta engatinhando. Ainda tem muita caixa pra carregar.

5) Fale pra gente sobre o último álbum da banda.

É um cd mais técnico. A gente teve acesso as melhores guitarras, os melhores equipamentos de estúdio, produção de Paulo Rafael (guitarrista do Alceu Valença ) mixado, no estúdio Nas Nuvens, no Rio,  por Victor Farias. É um cd foda em qualidade, mas acho que perdeu um pouco do romantismo do primeiro.

6) Quais as principais diferenças do primeiro Cd da banda, gravado de forma independente, para esse segundo?

No primeiro a gente tinha uma inexperiência em estúdio , os tambores nós não sabiaamos como iríamos gravar. O pessoal do tambor foi tudo novidade, quando chegou à hora do metrônomo (click ) foi uma luta.O segundo foi mais tranqüilo.

7) Como vocês estão vendo o mercado do reggae hoje em dia no Brasil?

A verdade é que quando começa aparecer milhares de banda fazendo a mesma coisa , sem alma , sem verdade,  prejudica um pouco o mercado , mas no final fica quem estiver fazendo um trabalho sério. O público sabe quando é verdadeiro.

O grupo se mantém no mercado mesmo com as adversidades

8) Quais os próximos planos do grupo?  Parece que o Cd novo sai em abril né? Conte pra gente as novidades.

Trilogia: o primeiro cd fala da barra do jucu onde moramos (o paraíso). O segundo cd fala do Espírito Santo e de lugares mágicos do estado. O terceiro que está nascendo fala de saudade e esperança. As músicas foram feitas todas em ônibus, hotéis ,estrada . Viajamos o Brasil todo e conhecemos novas culturas. Vem recheado de novidade, efim, um caldeirão de cultura , ecologia ,” ESPERANÇA” (nome do cd ) .

O grupo mandando seu recado final

9) Muitos criticos analisam que a diferença da banda está na percussão. Esse realmente é o forte de vocês ?

Sem dúvida a galera do tambor nasceu tocando congo. Faz a coisa com muita facilidade, no entanto é uma quebradeira só ,tem um ritmo forte. O brasileiro gosta de dançar, está no sangue. Minha guitarra surfa fácil diante de uma cozinha dessa.

10) Deixe uma mensagem final para todos os fãs da Banda Casaca.

CASACA hoje é uma banda independente de novo com muito orgulho e tem feito shows de casa cheia por todo o Brasil porque o fã sabe que um show do CASACA é diversão garantida, muito obrigado! Que nosso sucesso seja do tamanho do seu carinho.

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